May 10th, 2008 by Natália · 3 Comments

© Roy McMahon/Corbis
O espirituoso trocadilho acima foi título de uma folhinha que uma professora muito querida distribuiu anos atrás. A folha listava tudo o que a gente sempre quis saber de vocabulário escolar em inglês. Como eu acabei de ouvir mais uma opção para teste surpresa, resolvi vir aqui tentar lembrar o que aprendi e acrescentar umas coisinhas. Hope I can make her proud.
(Obs.: Os links abaixo são de textos e de um áudio que contêm a expressão, para quem preferir exemplos de uso.)
- fazer a chamada: take attendance; call (the) roll
- matar aula: cut classes; skip classes/school; play truant (Obs.: O problema de crianças matarem aula é chamado de truancy.); play hook(e)y (+ AmE?); skive off (+ BrE?)
- trabalho escolar; projeto: assignment; paper (se for um texto); project
- entregar (o trabalho): turn in/ hand in (an assignment)
- simulado: mock exam/test
- teste surpresa: pop quiz, surprise quiz
- 2a chamada (+RJ); prova substitutiva (+SP): make-up test
- fiscal de prova: proctor
- colar (num teste): cheat (on a test) (Obs.: Já ouvi que seria cheat IN, mas os hits no google apontam para ON.)
- cola (o papelzinho): cheat-sheet
- corrigir (as provas): mark/grade (the tests)
- gabaritar (a prova); tirar 10: ace (the test); get full marks; get an A
- passar (na prova): pass (the test)
- reprovar/ficar reprovado: fail; flunk
- boletim: report card
- média (da turma): average score
- nota/média para passar: passing grade; minimum score
- repetir de ano: repeat a grade
- (1a) série; (1o) ano: (1st) grade; (1st) year
- promoção automática: social promotion (e o sistema oposto é grade retention)
- abandonar a escola: drop out (of school)
- passar bilhetinhos: pass notes
- estudar na véspera/às vésperas: cram (for a test); (ou, mais literalmente,) study the night before
- varar a noite: pull an all-nighter
- estudar/trabalhar até tarde: burn the midnight oil
- cursinho; preparatório: cram school
- vestibular: university entrance exam(ination)
Tags: educação
April 25th, 2008 by Natália · 1 Comment

A foto está parecendo comercial de cerveja (ou talvez uma versão bêbada solidária de fazer o 4), mas o Lexikos ainda não tem esse poder todo. É que faz tempo que tenho prestado atenção em expressões em inglês como look out for number one (literalmente = cuidar do no.1) ou only care for number one (literalmente = só se importar com o no.1). As duas aceitam também uma versão hispanizada, com numero uno substituindo.
Esses idiomatismos são usados em situações em que a pessoa se põe em primeiro lugar, com freqüência em detrimento dos outros. O que importa nessas horas é só o que você quer, o que você precisa. Afinal, você é o número 1, o número natural que não inclui em si nenhum outro.
E para dizer isso em português? Será que os lusófonos não são tão individualistas e, por isso, não têm uma expressão dessa ordem?
Ah, se assim fosse, nossos países seriam um paraíso… Não haveria gente empurrando para entrar no ônibus, como se só elas precisassem chegar no trabalho na hora. Guardas não receberiam propina, porque as pessoas pensariam no quadro geral em vez de se vão ou não conseguir liberar seu carro. E se segue um infinito et cetera de idéias cada vez utópicas.
Foi pensando nesses casos que me lembrei de como é que se fala isso em português, ao menos lá no Rio…
FARINHA POUCA, MEU PIRÃO PRIMEIRO.
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Sabe outras expressões parecidas? Então compartilhe o pirão aqui nos comentários.
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O título deste post me lembrou crianças que disputam a prioridade no uso do controle remoto, da cama de cima do beliche, do banheiro, do que quer que seja precioso na hora. Não é primeiro! que a gente grita(va) antes de sair correndo e se apoderar do bem? Em inglês, grita-se dibs! E a ação é call dibs on alguma coisa.
Por sinal, o dibs do próximo post é do Michel. Stay tuned, como ele gosta de dizer.
Tags: idioms
April 17th, 2008 by michel · 5 Comments

foto: racka_abe
Este mês o blog tem recebido cerca de 10 visitantes por dia via google. Embora boa parte deles procure “placas de trânsito” (a expressão mais procurada) ou tenha dúvidas que o blog não pode responder (”random em inglês” ???, “como lançar uma curve ball”, etc.), o fato é que algumas pessoas devem ter achado o que buscavam. Entre as pesquisas provavelmente bem-sucedidas estão: estagiário em inglês, origem da expressão pensar fora da caixa, vento faz a curva em inglês, nome em inglês do pimentão, lã de aço em inglês, tradução de western countries e como dizer acostamento em inglês. Isso nos deixa felizes. Aliás, uma das buscas frustradas foi “expressões de felicidade em inglês”. Para satisfazer essa dúvida, primeiro precisaríamos saber o que se quis dizer com felicidade. Para alguns, a felicidade é apenas satisfação, contentamento (contentment), aceitar o próprio destino (accept one’s lot), não ter do que se queixar (have nothing to complain about). Outros almejam mais, querem ficar eufóricos (overjoyed), enlevados (rapturous), em êxtase (ecstatic), exultantes (elated). Não faltam expressões em inglês para esse estado de felicidade mais elevado: happy as a sand boy (que tal “feliz como criança com brinquedo novo?”), happy as a king, happy as a clam at high water; e em português temos os jocosos feliz como pinto no lixo (obrigado, Natália.) e feliz como um porco no chiqueiro (cujo equivalente em inglês é um pouco mais explícito: happy as a pig in shit).
Há quem ache que o importante é se divertir (have fun, have a good time), se animar ou alegrar (cheer up), e que vale a pena fazer certas coisas só pelo divertimento (for fun) , só por diversão (just for the heck of it), e se algo de ruim acontecer basta manter o bom humor (keep one’s spirits up), não se deixar abater (don’t let it get you down), recobrar o ânimo (perk up), porque depois da tempestade vem a bonança (after a storm comes a calm) e quem espera sempre alcança (everything comes to him who waits); além de muito animadas, as pessoas que pensam assim têm uma coleção incrível de clichês sempre à mão.
Pois bem, e como dizer o oposto disso tudo? Em breve, num navegador perto de você: expressões de infelicidade. Stay tuned!
Tags: emoções · idioms
April 11th, 2008 by Natália · 1 Comment
Essa não precisa nem entrar no cursinho para saber. Obrigado em inglês é thank you ou thanks, fácil. Mas assim como no Brasil às vezes se ouve mais valeu do que obrigado, na Austrália e na Inglaterra, podem-se passar dias em que só se ouvem cheers e ta. Sem dúvida, ta é um choque para o brasileiro que o escuta pela primeira vez.
– $3.50
– Here you are.
– Ta.

– Você viu que grosseria? Eu dei o dinheiro e a mulher disse tá!
– Calma, é só outra forma de agradecer…
– Ah, então tá.
E o que se responde ao obrigado? You’re welcome, not at all, don’t mention it? Quiçá mesmo um anytime? Claro, qualquer uma dessas é possível, tanto quanto os nossos de nada, por nada, disponha, não seja por isso não há de quê e que bobagem. Mas, aqui na Austrália, é quase onipresente o no worries (sem problemas), que também serve para responder a um pedido de desculpas. Ou então, muito para a minha surpresa, cool.
– Excuse me, where’s the School of Postgraduate Studies?
– Just round the corner.
– Cheers.
– Cool.
(Cool me parece bem jovial. A situação acima era de dois universitários que não se conheciam.)
E para quem agüentou este post até aqui, cheers, tá?
Tags: cotidiano
March 27th, 2008 by Natália · 2 Comments
Da série “Olha o que aprendi hoje”.
Um anúncio onipresente nos bondes da cidade de Melbourne informa que “plain clothes police officers ride your trams”. No pôster, vê-se uma foto do rosto de uma mulher e de um homem com o uniforme da polícia e à paisana. Pronto, 1 minuto fora de casa e já aprendi uma expressão nova.

Pegando carona nesse bonde (não resisti ao trocadilho), “bonde” aqui em Victoria, Austrália, é mesmo chamado de “tram”. Mas essa é uma das palavras que fica a gosto do freguês. Parece que é “streetcar” (A Streetcar Named Desire) no Reino Unido, “cable car” em São Francisco e sabe-se lá mais o quê no resto do mundo. E é sabido que nossos amigos portugueses o chamam de “elétrico”, o que sempre me fez pensar que os bondes deles devem ser quase hiperativos.
Tags: cotidiano · profissões · transportes
March 24th, 2008 by michel · 2 Comments
“In our part of the world, Lucy Lawless, Sally Ridge and Wendyl Nissen happily navigate their way through multi-dadding arrangements”.
—Shelley Bridgeman, “Who’s the daddy?,” The New Zealand Herald, September 30, 2007
Wordspy é um site que registra novas palavras que apareceram várias vezes em jornais, revistas ou livros. Oferece os novos verbetes também em rss.
multi-dadding pp. Having multiple children with multiple men.
—multi-dad v., n.
I wondered why the baseball was getting bigger. Then it hit me.
Pun of the day é uma coleção de trocadilhos em inglês que promete fornecer um por dia.
Também com feeds, se o leitor preferir. Quem me conhece sabe que, para meu constrangimento diário, adoro um jogo de palavras. Afinal, seven days without a pun makes one weak. 
Tags: links
March 21st, 2008 by michel · 4 Comments
Uma das muitas dificuldades da tradução entre idiomas ocorre quando um conceito específico de uma cultura precisa ser transposto para outra. Um tema que impõe várias noções alheias ao conhecimento médio dos brasileiros é o beisebol. Em analogias extensas pode ser interessante fazer a substituição cultural por um jogo mais compreensível para nós. Para isso, conhecer alguma coisa sobre o jogo é importante. O problema é que além de singular, o danado do jogo é bastante complicado. Para começar, o rebatedor (batter) é o atacante, embora rebater seja mais uma reação, convenhamos. O sujeito que arremessa as bolas, o pitcher, está na defesa! Quando o arremessador lança três bolas válidas (strikes), ele elimina o rebatedor. Por isso, ter dois strikes contra si é uma grande desvantagem:
Having to strikes against oneself:
Some unfortunate people are said to have been born with two strikes against them [AHD]
Para isso, o arremessador pode tentar lançar uma bola curva (curve ball), que representa uma grande dificuldade porque é inesperada e procura iludir o rebatedor:
That last question on the exam was a real curve ball. [LCED]
(a curve ball= capcioso/a).
Ou então pode tentar um arremesso do tipo screwball, que vai girando no sentido contrário ao da bola curva normal:
That screwball proposal won’t work [AHD]
(screwball= estranho/a, excêntrico/a, absurdo/a)
Quando o batedor acerta a bola ele se torna um corredor (runner). Ele corre até que um defensor da outra equipe consiga devolver a bola para algum dos jogadores que ficam posicionados junto às bases. Se na rebatida ele conseguir mandar a bola para fora do campo de jogo, ele consegue um home run, percorrendo as 4 bases na mesma jogada; é um êxito e tanto:
“Everybody’s so enthusiastic about your proposal. You just hit a home run.“ [crosswalk]
O mesmo resultado positivo pode ser obtido em jogadas sucessivas:
Be batting a thousand AmE informal to be very successful: She’s been batting a thousand since she got that job [LCED]
“Some people are born on third base and go through life thinking they hit a triple.” Barry Switzer
Triple= uma rebatida em que o batedor chega à terceira base.
Já se a rebatida for ruim, pode ser que não se consiga chegar nem à primeira base:

“We’re not making a bit of progress with this project. We can’t even get to first base.” [crosswalk]
Veja também: metáforas sexuais do beisebol (em inglês).
Nesse caso, quando a bola não estiver em jogo, talvez fosse melhor substituir esse jogador pelo batedor substituto (pinch hitter):
The staff here can pinch hit for each other when the hotel is busy.
(pinch-hit = substituir)
As equipes de beisebol profissionais mais importantes fazem parte da MLB (Major League Baseball).
“There’s Adam Clymer, major league asshole from the New York Times”
George W. Bush
That performance was great. It was a major league performance. [crosswalk]
(major league = grande, grandíssimo, tremendo; de marca maior)
Outras fazem parte de ligas menos importantes (bush/minor leagues):
“They’re chintzy, they’re inexperienced; they’re incompetent. They run a minor league operation.” [crosswalk]
(minor league=insignificante, medíocre)
Em casos como os das expressões idiomáticas citadas (e de outras, pois há muitas) não é realmente necessário conhecer o jogo para traduzi-las. Da mesma forma que mesmo quem não dá bola para futebol tira de letra as expressões em português originadas no futebol.
*When they start the game, they don’t yell, “Work ball.” They say, “Play ball.” ~Willie Stargell, 1981
Referências:
Longman Contemporary Dictionary of English (LCDE)
Collins Cobuild Advanced Learner’s English Dictionary (CC)
American Heritage (AHD)
http://www.crosswalk.com/1346118/ (crosswalk)
Tags: esportes · idioms
March 8th, 2008 by Natália · 7 Comments

Minha lista de compras continha molho inglês e palha de aço (é, Bombril). Porém, solta em um supermercado australiano, não fui capaz de reconhecer os produtos pela embalagem. Precisaria aprender como se dizem os dois em inglês antes de cumprir a tarefa.
Se as línguas fossem como em tradutor automático gratuito, molho inglês se chamaria English sauce. Mas não é bem assim. Foi aí que me dei conta: se Brazilian Brazil nuts (castanhas-do-pará) são mais conhecidas em português pelo estado produtor*, o molho em questão deveria ter um desses nomes estranhos de condado da Inglaterra. Não deu outra: molho inglês é Worcestershire sauce (saúde!). A pronúncia correta, impossível de adivinhar a partir da grafia, é algo como [’wus.ter.shir].
Feita a comida, era hora de ariar as panelas (scour (out) the pots?). Graças a uma amiga quase local, descobri que a embalagem de bombril aqui é uma caixinha dura e vermelha com seis pads da marca Jex. Parece que aqui também é a marca que dá nome ao produto, mas meus informantes não estão muito certos disso. Também resta a dúvida de como seria no resto do mundo anglófono, mas encontra-se a expressão steel wool pads na internet. Desconfio que ninguém vá falar esse nome todo, assim como não é comum ouvir falar em esponjas de lã de aço ou mesmo palha de aço. (A Hypermarcas que me desculpe. Quando ela tentou com o Assolan, já era tarde demais.) Talvez nos Estados Unidos as pessoas se refiram ao produto pelas marcas Brillo e S.O.S?

Enfim, para terminar o batuque na cozinha, apresento-lhes um dos meus ingredientes favoritos: pimentão. Caso você vá à sanduicheria Subway na Austrália e aparentemente também na Índia, peça por capsicum. Já no Reino Unido, a Wikipedia informa que também poderia ser sweet pepper, red ou green pepper. Nos EUA, o termo seria um icônico bell pepper. Por fim, o verbete aponta que há lugares que chamam o legume até de paprika, tal qual o tempero em pó. Voilà, pode-se comer pimentão por uma semana só usando sinônimo.
Acho que a lista do supermercado está completa agora. Olhem lá na despensa para ver se falta mais alguma coisa.
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*A Wikipedia brasileira em português também oferece a curiosa tradução castanha-do-brasil.
Tags: alimentos · vida doméstica
February 29th, 2008 by michel · 9 Comments
Li outro dia que, em indonésio, existe uma distinção entre sair na chuva sem saber que está chovendo (kehujanan) e sair na chuva sabendo que está chovendo (hujanhujanan). É natural que as línguas façam distinções diferentes uma vez que as necessidades dos povos variam também, mas não tema: eu não vou citar de jeito nenhum o batidíssimo exemplo dos esquimós e da neve. O tradutor que aceitasse o desafio de transpor esses sentidos do indonésio para o português teria que lidar com essas diferenças, mas, paciência… quem sai na chuva é para se molhar (desde que hujanhujanan, evidentemente).
Por vezes, os sentidos existem em dois diferentes idiomas, mas fazem parte de modos de discurso diferentes. Vejamos um exemplo na manchete do site da BBC:
“Westerners are more promiscuous
People in western countries tend to have more sexual partners than those in the developing world, a study says”
Westerner é ocidental, não é? Ao ler a primeira manchete você poderia pensar que a comparação é com os povos asiáticos: os ocidentais são mais promíscuos (so judgemental…). Ou pode vir à mente a imagem da divisão do mundo em hemisférios, com o hemisfério ocidental em destaque como abaixo, ou ainda a lembrança do meridiano que o professor de geografia chamava de bruxa verde.

Mas ao ler a manchete em verde fica claro que a caracterização não é meramente geográfica.
Aí você resolve abrir o dicionário e se depara com esta definição:
“Western is used to describe things, people, ideas or ways of life that come from or are associate with the United States, Canada, and the countries of Western, Northern, and Southern Europe” (Collins Cobuild).
Como é que é, eu não sou ocidental?
Depende. O verbete the West da wikipédia apresenta várias explicações para o termo, que varia historicamente e de acordo com a área do conhecimento. Mas a quem se destina um artigo da BBC? Ao público em geral que leia inglês, suponho. Se a Gazeta do Oiapoque resolvesse traduzir o artigo, a quem ele se destinaria? Ao público oiapoquense em geral. Será que os cidadãos do Oiapoque ou de outra cidade do Brasil reconheceriam em ocidental esse sentido de mundo ocidental desenvolvido, Primeiro Mundo*, países ocidentais desenvolvidos? Imagino que não. Imagino que, da mesma maneira que eu, eles pensariam no aspecto geográfico apenas. No sentido em que ocidental (Western) é o antônimo de oriental (Eastern). E não na acepção em que o antônimo de western é non-western.
Por outro lado, o excelente Vocabulando, vocabulário prático inglês-português, aparentemente não concorda com nada disso e prefere traduzir como Ocidente mesmo:
Many developing countries wish to catch up with standards of living in the West
Muitos países em desenvolvimento querem alcançar os padrões de vida do Ocidente.
E você, concorda com quem?
*Algumas pessoas consideram um termo ofensivo
Referências:
http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/6101970.stm
http://en.wikipedia.org/wiki/Western_Hemisphere
http://en.wikipedia.org/wiki/Western_world
Tags: em suspenso · espaço · geografia
February 26th, 2008 by Natália · 3 Comments

Há muito tempo atrás, fiz um curso de Licenciatura Plena em que havia um estágio cruento de 300h. Não, este post não é sobre o meu sofrimento de ver um desfile de professores ruins para piores ainda maltratando as criancinhas. O post é sobre a tradução dessas duas palavrinhas para o inglês.
Primeiro, consideremos o estágio. Sempre pensei em internship, e o Google dá uns milhares de hits em sites de universidades americanas (.edu) e britânicas (.ac.uk). Essa tradução tem a vantagem de trazer um título legal para o estágiario, esse ser que fica 300h lutando contra o sono , sentado depois da galera do fundão. Quem faz um internship é um intern. Conseqüentemente, o professor da turma é o mentor. Só que, na universidade em que estudo (e em mais milhares do mundo, indica o Google), esse estágio é mais conhecido como teacher practicum, no singular, e teacher practica, no plural. Muito legal, isso iria direto para o meu currículo, se eu não tivesse abandonado tudo lá pela ducentésima hora de estágio. Mas quem faz um teacher practicum é o quê, além de um sofredor? Creio que seja um student teacher ou teacher candidate, mas deixarei isso muito em aberto no meu arquivo mental, aceitando contribuições dos (futuros) leitores.
Agora, o curso de Licenciatura é uma dor de cabeça tradutória. Se não me engano, no Brasil, esse curso é de graduação, apesar de ter mais carga horária que muita especialização por aí. No entanto, em muitos países, ele é pós-graduação. Não há dúvida de que a Licenciatura seja um exemplo de Teacher Education Program(me). O que resta saber é o título que ele atribui ao felizardo formando.
Também complica porque cada sistema educacional tem uma sentença e, em geral, as universidades estrangeiras oferecem uma variedade maior de títulos. Aqui na Austrália, poderia ser Master of Teaching ou Postgraduate Diploma in Teaching. No Reino Unido, parece que até um Graduate Certificate poderia ser, sendo que “graduate” quer dizer “postgraduate”. Achei também por lá o título de Graduate Teacher Programme (GTP). Seja como for, o importante é que, no final, se saia um (fully) licensed teacher. Por isso, eu arriscaria dizer que o curso que eu fiz teria me aferido uma Teaching License e pronto, acabou. Mas sugestões seriam muito bem-vindas, logicamente.
Tags: em suspenso · profissões